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16/1/2009

* O sentido da vida

Imagine que você tem hora marcada para morrer. E sabe qual é. O que faria da vida em seus últimos tempos?

Essa é a pergunta e o desafio de Sete Vidas, um filme pesado, forte como um soco no estômago, e brilhante. E que toca na grande questão humana: o que de melhor se pode fazer da existência? Qual é, afinal, o sentido da vida?

Essa pergunta, que muita gente acha sem resposta, está ali. É impossível contar um pouco da história de Sete Vidas sem estragar o prazer de assisti-lo. Montado como um quebra-cabeças, ele é feito para que não possamos entender o que se passa por um bom tempo. Ben Thomas, o personagem principal, é rico ou pobre? É bom ou é mau? Por quê ele, que apresenta documentos de fiscal do imposto de renda e se veste como um pequeno burocrata, procura pessoas que estão em risco e fala com elas como se fosse Deus, capaz de lhes dar a vida ou a morte?

A descoberta de quem é Ben Thomas, o que ele pretende, e por quê ele se coloca na posição de anjo ou nêmesis vem passo a passo, sem pressa, no ritmo de uma história cheia de enigmas e suspense. Ben Thomas é interpretado por Will Smith, um ator que se tornou mais conhecido pelas comédias e filmes de aventura, um ícone negro que protagoniza grandes sucessos de bilheteria, mas que desta vez resolveu fazer um drama que bem poderia estar tanto na Broadway quanto em Cannes. Para nossa surpresa, funciona.

O título em inglês (Seven Pounds, uma medida de peso) tem um significado mais forte que o “Sete Vidas”, em português. Fala da vida como ela pudesse ser pesada. Como se uma vida perdida pudesse ser trocada, substituída ou compensada por outra, a quem se dá a vida. Trata de como reparar erros irreparáveis. O diretor, o italiano Gabriele Muccino, tece uma trama feita não apenas para tocar os corações. Ela nos faz pensar. E, para quem pensar, pode até mudar a vida, de fato.

O personagem de Smith coloca numa situação extrema um problema comum a todos nós. Assim como fazem os outros personagens tocantes e humanos, como a moça prestes a ter um colapso cardíaco e o cego que Bem Thomas inexplicavelmente humilha como um cachorro vagabundo.

Com seus personagens, Muccino nos diz que jamais podemos ressuscitar os mortos, mas podemos também dar a vida. E que fazer o bem é o único sentido para a existência – não importa, no fundo, quanto tempo realmente tenhamos.

 

 

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