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12/2/2009

* O preço da sensatez

O presidente americano, Barack Obama, anunciou um pacote de 2 trilhões de dólares para ajudar as instituições financeiras em ruínas, mais dinheiro para tapar esse buraco que parece não ter fundo. E ainda foi criticado pelos chamados especialistas no mercado, com ressonância na imprensa econômica, que apontou o caráter apenas paliativo dessa ajuda.

A imprensa tem razão: aportes de capital são apenas paliativos. O que resolve os problemas da economia americana é uma mudança de mentalidade e de base muito mais difícil de implantar do que simplesmente dar um dinheiro de emergência.

É preciso criar mecanismos fortes de regulação de empréstimos, com limitaão de alavancagem do que os bancos podem emprestar, crítérios sérios de avaliação de risco, um controle eficaz pelo governo desses parâmetros e uma lei dura, como os americanos sabem fazer, para inibir os malversadores.

Isso cortaria os males de raiz, mas não resolveria o passado: os créditos podres, as instituições em estado falimentar e as pessoas que perderam casa, dinheiro e trabalho. No entanto, a grande missão de Obama é instalar o realismo na economia. Aqueles que emprestaram dinheiro mal e aqueles que tomaram dinheiro acima do recomendável agora estão pagando pelos seus erros e não há outra forma. A economia tem de voltar às suas bases reais.

Aqueles que reclamam de Obama são exatamente os mesmos que deixaram correr a bandalheira até que ela se tornasse insustentável. Quando eu morava em Nva York, há três anos, o modesto apartamento de dois quartos que eu alugava custava 900.000 dólares, comprado com financiamento a perder de vista. Claro que nem pensei em fazer isso. Nenhum apartamento de dois quartos vale tanto, seja qual for o lugar do mundo. Muitos, outros, porém, compraram.

Se eu tivesse adquirido o imóvel, provavelmente estaria também falido. Não tendo comprado nada, se ainda morasse lá, estaria como muitos americanos pagando a conta dos perdulários que não tiveram o mesmo bom senso e adquiriram imóveis a preços absurdos, hipotecaram suas casas várias vezes para obter novos empréstimos ou depositaram seu dinheiro nas mãos dos irresponsáveis que alimentavam a corrente da alegria.

Sorte minha a criação severa, segundo a qual se deve desconfiar sempre do dinheiro fácil. Porém, é inevitável que justamente os responsáveis sejam sempre chamados a salvar os descabeçados que fizeram justamente aquilo que recomendávamos não fazer.

Esse é o preço da sensatez: aqueles que mantiveram o equilíbrio e não embarcaram na loucura hoje têm que pagar a conta daqueles que festejaram até quebrar. E ainda têm que ouvir reclamações de gente que acha a ajuda insuficiente.
Obama realmente faz mal. Não devia colocar mais 2 trilhões no saco sem fundo, socializando entre todos o prejuízo dos irresponsáveis. É injusto pagar pelo erro alheio e já se está pagando muito. A crise é funda, mas o sofrimento é necessário, para servir de exemplo – caso contrário, logo a ciranda dos insensatos estará de novo aí.

 

 

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