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Cinco contos de amor e um painel revelador da visão masculina sobre os relacionamentos em tempo de reconstrução.
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16/2/2009

* Ricos e reprimidos

Eu dizia que a repressão social, o puritanismo, a sociedade inflexível, criadas para manter um regime de ordem absoluta, produzem aberrações. Não espanta que no nazismo havia cientistas que injetavam gasolina no coração de seres humanos, como fazia o dr. Morte. Asssim como o poder absoluto corrompe absolutamente, o puritanismo produz as maiores monstruosidades comportamentais.

Não faltam exemplos.

Os japoneses, que cultivam aquele autocontrole quase ritual, estão entre os povos mais pervertidos do planeta. Bebem como gambás de olhos oblíquos. Frequentam porões sadomasoquistas.

O mesmo acontece com os americanos. Sob o seu famoso estilo de vida, esconde-se aquele tipo de autoritarismo sobre tudo. O resultado é que, quando alguém sai da linha, é numa explosão desproporcional. Assim surgem os serial killers e aqueles jovens que entram em lanchonetes para matar quem estiver à frente com uma metralhadora.

Vejamos o sueco. O sueco é um povo que não pode reclamar de nada. O país socializou a riqueza. Lá tudo funciona perfeitamente. E naquele tédio da perfeição, o sueco é também conhecido como o povo que mais se suicida no mundo. Quem quiser comprovar que procure as estatísticas.

O suíço, ícone da civilização, não é diferente. Na Suíça, se o guia diz que o trem parte às duas e vinte mais dez segundos e você marcar doze segundos, é porque o seu relógio está errado. Não por acaso, a Suíça é o país dos brinquedos de precisão, como aqueles trenzinhos elétricos que reproduzem o mundo à perfeição. Esse minimalismo se estende a tudo. As cidades suíças também parecem presépios gigantes.

Ao mesmo tempo, o suíço é também um dos povos mais doidos do mundo. Em Zurique, eu costumava ficar no Leonhardt. É um dos hotéis mais baratos da cidade, e muito peculiar, por sua ambiguidade. A fachada do hotel dá para a Limat Quai, o lugar mais nobre da cidade. Basta cruzar uma ponte sobre o rio Limat e se está na Banhoff Strasse, o calçadão chique do centro. Os fundos do hotel, porém, têm outra porta que dá numa rua paralela ao rio, onde fica o submundo de Zurique.

É uma sucessão de inferninhos que de noite fazem um barulho infernal, principalmente se você está querendo dormir num quarto virado para aquele lado. Gritos animalescos e bêbados quebrando garrafas para brigar superam de longe a música esquizofrênica que vaza todas as paredes.

A vida em Zurique é estranha. As pessoas são extremamente reservadas, mas quando saem de casa à noite viram outras. Há muitos drogados e bêbados que exibem suas esquisitices no lado B da cidade. Alimentam sua sua elevada renda o comércio de drogas e a prostituição.

Andando na rua de trás do Leonhardt, há muitos anos, vi o travesti brasileiro Roberta Close caminhando sozinha na rua deserta durante o dia, cheia de lixo e poças de vômito. Ali há muitos travestis brasileiros, atração dos night clubs onde dançam e fazem programa. Foi na Suíça, por sinal, que Roberta Close conheceu o dentista que pagou por sua operação sexual e com quem se casou.

Lá, como em outros países da Europa, está na moda o skinhead de tendências neonazistas. O skinhead não é um manifestante político. É um ser humano mentalmente perturbado e um criminoso potencial que utiliza pretensas bases políticas, como a simpatia ao nazismo, para ganhar a coragem de colocar para fora sua selvageria.

As razões para a violência humana são psicológicas e sociais. Os países ditos civilizados gostam de apontar o Brasil como um ninho de violência, mas ainda não sabem como erradicar uma manifestação de doença de sua própria sociedade.

O único remédio contra sociedades opressoras, além dos batalhões de polícia, é a liberdade, ministrada no dia a dia, a longo prazo. Só a liberdade, com a educação, esvazia a panela de pressão social – uma lição que o brasileiro, povo dos mais livres do mundo, não apenas na política como no comportamento, sabe ensinar muito bem.

 

 

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