Certa vez, entrevistei o técnico do São Paulo, Muricy Ramalho. Ele acabara de ser bicampeão brasileiro, nas temporadas de 2006 e 2007 (seria tri em 2008). Perguntei-lhe qual era a diferença entre o que ele fazia para ter se tornado um vencedor e os velhos tempos, em que ele reconhecidamente já fazia um bom trabalho, mas sempre perdia o campeonato por algum detalhe no final. E ele respondeu: “nenhuma”.
A lição de Muricy vale para o futebol, mas também para tudo, inclusive a literatura. Você pode fazer um bom trabalho e ganhar; pode fazer um bom trabalho e perder. O importante é seguir trabalhando bem, fazendo o máximo. E não mudar na derrota, só porque perdeu. Ela nem sempre significa que você está errado. Apenas existem coisas que não dependem de nós.
Não podemos garantir o resultado, nem o reconhecimento do trabalho. O que podemos fazer é seguir sempre trabalhando da melhor maneira possível. É assim mesmo: o que é bom nem sempre é reconhecido ou obtém resultado imediato. Temos de continuar, até que o momento também se torne favorável. Quando a sorte encontra o bom trabalho, o sucesso aparece com um sabor ainda melhor.
Pode-se ganhar uma partida jogando mal, assim como perder jogando bem. Pode-se fazer sucesso com um livro ruim, e patinar na obscuridade com um livro muito bom. O certo é que um bom trabalho pode ficar esquecido por muito tempo, mas tem mais chance de dar certo algum dia e continuar sendo lembrado depois. Já um mau trabalho pode até dar resultado por algum tempo, mas não fica.
O que é mau desaparece com o tempo. O que é bom, será sempre bom.
Na literatura, temos de fazer sempre algo importante e com significado para nós mesmos. É isso o dá qualidade à obra literária e nos diferencia de todos os outros. Quando conseguimos nos expressar plenamente, vem a certeza de que o trabalho é bom; ele se mede não pela repercussão ou o resultado financeiro, mas pela nossa satisfação.
É isso o que devemos buscar: o bom trabalho se revela quando traz felicidade.
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