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Cinco contos de amor e um painel revelador da visão masculina sobre os relacionamentos em tempo de reconstrução.
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25/5/2009

* A força da poesia

Pouca gente compra ou lê poesia. Esta é, para mim, a mais sublime das artes. Não é minha especialidade, mas eu a uso para extravasar sentimentos que pedem uma ação rápida. Por natureza, a poesia é extrema. Sua virtude está em colocar em poucas palavras grandes sentimentos.

Ver Doutor Jivago me deu de repente vontade de escrever poesia. Mas ando vazio. Com a morte de minha mãe, escrevi o último de meus poemas ano passado, justamente sobre ela. Divido-o aqui com vocês. E acrescento dois poeminhas anteriores, que mostram bem a relação entre a poesia e o estado de espírito de quem os escreve.

Amor que fica

O tempo é tão sem tempo
Que começa quando acaba
Assim ao menos que parece
Na parede da memória

O tempo é tão sem tempo
Que constrói quando desaba
A gente nunca esquece
Um saudade com história

Permanente é o amor
Que é fruto da estação
Na primavera ele é flor
E tempestade de verão

Quem ama, tudo quer
Amor de mãe e protetora
Amor de filha e mulher
Amor de amiga e professora

Esse amor que enche a gente
Não tem dia nem tem hora
O que termina está presente
Faz da gente o que é agora

Tantos erros neste mundo
Ainda há por reparar
Se eu tivesse um segundo
Eu fazia o amor ficar

Se eu tivesse o poder
De criar vida, fazer luz
Se pudesse mesmo ser
O Deus que nos conduz

Fazia mais gente assim
De sonho e pé de feijão
E deixaria o amor pra mim
Pra salvar meu coração

*
Quero

Quero um pouco de muito amor
De uns arroubos de voar
De palavras furta-cor
De acertar de tanto errar

Um pouco de muito e tudo
De tudo e muito um pouco
De silêncios de surdo-mudo
De gritar de ficar rouco

Um pouco de prazer sem medo
De andar sem objetivos
De achar que ainda é cedo
Sem planos falsos ou esquivos

Um pouco do eu antigo
Que não olhava o futuro
Da vida mais amigo
E um pouco menos duro


*
Futuro

Regresso ao velho berço
O lugar onde nasci
O passado está aqui
Só não o reconheço

Um dia voltei os ombros
Ao que passei, vivi, senti
Havia alegria quando parti
Hoje existem só escombros

Onde estará o futuro
Dos homens mais funestos?
Em lugar incerto e escuro
E é feito desses restos


 

 

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