Museus de musas e do apocalipse
Passo pelo museu do Prado. Os retratos inacabados de Goya. Que só reforçam como a grande arte sai do nada, é puramente a mão do artistas: a máfica contrasta com a tela nua.
Goya era um gênio e é um dos meus preferidos. Por seus quadros que fogem dos cânones. Pintava os ricos, fazia retratos de encomenda nos moldes clássicos, como Rembrandt, mas se deixava levar pela emoção, que lhe deformava o traço. Foi o primeiro modernista, quando riscava a tela, em pinceladas de fúria; o coração ultrapassava a técnica, era a síntese da expressão, como no seu quadro das execuções durante a guerra civil espanhola.
Parei muito tempo diantes das majas, que estão lado a lado. Nunca havia reparado nisso: a maja vestida está de rosto rosado e risonho, já a desnada parece posar contrariada. Intenção do artista, ou a disposição da modelo?
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Fortuny: não conhecia, é brilhante. Uma surpresa.
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O Prado é um museu coerente, focado na pintura clássica, desde a renascença italiana, que influiu na espanhola. Um museu com personalidade, que não atira para todos os lados, ume enciclopédia cultural, de uma variedade cansativa, como o Louvre. Sim, o Louvre é grande, mas para mim mostra apenas a inutilidade de tenatr saber tudo, a vida é feita de escolhas.
E o Prado tem grandes obras e nomes, como rafael, Ticiano, Tintoretto, Goya e o apocalíptico Bosch.
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Bosch. Como a alma humana pode gerar imagens terríveis de si mesma. Mas não acho Bosch doentio. Acho... realista.
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Ainda no Museu do Prado, vejo o retrato de Veronica Franco, pintada por Domenico Tintoretto (1560-1630): Mulher com o Seio Descoberto. Franco que, viveu em Veneza, de família tradicional, cuja ousadia foi perenizada pelos artistas de sua época, foi talvez a mulher mais pintada de seu tempo. Ninguém, no entanto, a pintou como Tintoretto.
O gênio da Renascença transferiu sua magia para essa outra mulher, não de qualidades míticas, mas bastante seculares: a beleza e a literatura. Com a silhueta bem definida, de quem, como Leonardo e outros renascentistas, valorizava o esboço antes de pintar, deu-lhe ao gesto de descobrir o seio não apenas o tempero da ousadia, mas algo de doçura virginal. Uma combinação misteriosa, provocadora e, para quem aprecia as contradições, irresistível.
“Cortesã cuja beleza só se comparava ao talento literário”, diz o texto descritivo do quadro; nunca li nada de Franco, quero ler, para saber jus se a escritora fazia mesmo jus ao seu charme.
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