Romances
LANÇAMENTO
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| A odisséia de um jovem rebelde pelo Brasil cheio de conflitos dos anos 1920 para resgatar o amor paterno, sua paixão de infância e a paz interior... |
FICÇÃO
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| Pai e filho fazem uma viagem a Machu Picchu, onde eles encontrarão a mais eterna das amizades e o segredo para enfrentar o medo diante da morte... |
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| A saga brasileira de uma família de imigrantes italianos movidos pela paixão no sertão paulista.... |
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| Cinco contos de amor revelam a visão masculina sobre os relacionamentos em tempos de reconstrução.... |
REPORTAGEM
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| 21 perfis com as idéias, a luta, os sentimentos e segredos de 21 brasileiros de sucesso.... |
INFANTIL
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| A morte de um passarinho e como pais e filhos podem lidar com problemas delicados... |
BIOGRAFIA
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| A épica vida de Rolim Adolfo Amaro, de quase-mendigo a dono da maior companhia de aviação do país.... |
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7/09/2011
Ao Ruy não se diz adeus
A herança de um homem que, sem gostar de ler, foi uma mola mestra do mercado do livro
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| Ruy Mendes Gonçalves, um dos homens mais importantes do mundo do livro, não gostava de ler. Era formado em administração de empresas, e deu uma contribuição importante para fazer da Saraiva uma das maiores editoras do país, e a maior rede de livrarias do Brasil, com uma centena de lojas, a maior parte delas megastores, conceito que introduziu no país. Acionista da empresa, membro do conselho de administração, ex-principal executivo, sua vida era fazer esse negócio dar certo - o que muita gente que gosta de livro, mesmo gostando, e muito, não conseguiu.
Dizia fazer uma parceria como poucas com o sr. Jorge Saraiva. Admirava o sócio e amigo por sua sabedoria, inteligência, equilíbrio e honradez. E acreditava que ambos se completavam, pois via em si mesmo mais ênfase em outras qualidades: humildade, persistência, capacidade de trabalho e decisão. Com isto, mais do que qualquer outra coisa, ambos ergueram ainda mais um negócio sólido, que mesmo quase centenário se revela hoje ainda o mais capaz de enfrentar as rápidas mudanças requeridas por um mercado em franca mutação.
Porém, o que Ruy deixou ao morrer sábado, em decorrência de câncer, não foi só uma parceria e uma companhia bem sucedidas - ao menos para aqueles que tiveram a sorte de conviver mais perto dele.
Ruy foi um garoto enjeitado. Conheceu seu pai quando tinha 9 anos - e teve com ele uma convivência curta, porque o pai partiu cinco anos depois, vítima de leucemia, a doença que foi uma sombra para Ruy a vida inteira, e que no final também enfrentaria. Para crescer, em todos os sentidos, Ruy dependeu sempre de ajuda. Por isso, o Ruy essencial era um homem grato - a todos os que o ajudaram, e à vida, que não o abandonou.
Como decorrência, ao longo de sua vida inteira, sua principal característica foi a fidelidade, o reconhecimento, o senso de justiça, e a generosidade com que procurava ajudar os outros, ou devolver, na pessoa de quem encontrava pela frente, tudo o que havia recebido.
Ruy adorava o time do São Paulo. Não era apenas uma paixão futebolística. Lembrava de quando o pai, na sua tão curta convivência, o levava ainda garoto aos campos do Paulistano, que viria a ser o São Paulo de hoje. Para ele, o São Paulo era mais que futebol: era a lembrança do pai, era a ligação afetiva com as pessoas, era a família que ele nunca teve.
Teve que construir uma família para si. E construiu uma enorme. Ao morrer, contava não só com seis filhos, genros, netos e agregados, mas os milhares de colaboradores da Saraiva e os amigos que encontrou pela vida, em quem sempre deixava uma lembrança, um sinal, uma história.
Conquistou tudo o que queria - e mais do que imaginava - pela tenacidade. Como os estudos quem lhe pagava era o tio, um presente da sorte, ele sempre foi aquele que tinha de se esforçar mais do que os outros, porque nada lhe vinha de graça; tinha de corresponder, como uma forma de agradecer. Passou a vida se esforçando, correspondendo, agradecendo e construindo coisas melhores do que as que lhe entregavam.
Criava metas importantes, e não desistia. Encontrava gente desanimada, e a levantava com seu ânimo admirável. Diante das dúvidas, ele decidia. Chamava para si a responsabilidade. Gostava de encontrar pessoas que fizessem bem o seu trabalho. E procurava nelas as qualidades que cultivava em si mesmo: perseverança, trabalho, humildade, honestidade e qualificação.
Aos 70 anos, diante da doença, e da vontade de escrever um livro de memórias (O Serelepe, Editora Saraiva), conquistou a última coisa que lhe faltava: tendo passado a vida envolvido com números e pessoas, passou a encontrar prazer no hábito da leitura.
Um homem como Ruy sempre fará falta. Mas ele deixa como herança seu exemplo de sabedoria, a sua capacidade de decisão, a sua fortaleza moral, a sua habilidade em incentivar e liderar pessoas, o seu interesse pela vida, que o fazia sempre enxergar à frente, e tomar as decisões mais corretas - ou corrigir os erros antes dos outros.
Há muita gente que viveu com Ruy e partilhou da sua escola. É essa gente, que o admirou e lamenta sua falta, que herdou dele mais que uma saudade: guarda a capacidade presente de ajudar a levar adiante o seu trabalho. |
| 7/09/2011
Perigosas mágicas
Em Os Redentores, uma mostra de como esquerda e direita se confundem no populismo
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Os Redentores, lançado pelo selo Saraiva Benvirá, conta a história dos grandes personagens que achavam que podiam mudar o mundo, ao menos na América Latina. Escritores, políticos, intelectuais de ação que tiveram uma coisa em comum: achavam que podiam melhorar a vida do povo oprimido. É uma aula instigante sobre o ser humano, um livro de ideias e ideais. E mostra, como poucos, algumas ironias do destino dos homens e de suas ideologias.
A grande ironia ideológica de Os Redentores é mostrar como o comunismo e o populismo estão próximos, embora se proponham tão distantes e mesmo opostos como a esquerda da direita. Vertentes capitais da política na América Latina - incluindo o Brasil, embora no livro não exista nenhum caso brasileiro -, ambos têm na raiz a dedicação às causas populares. Ou um certo ideal: justamente melhorar a condição do povo pobre, tirá-lo da opressão e dar ao povo poder sobre si mesmo. Ambos pregam o sonho da distribuição de renda, no que ela tem de bom, e ambos descambaram para algum tipo de demagogia com pendores ditatoriais e totalitários.
O comunismo é associado à esquerda, com sua cara virtuosa, enquanto o populismo é associado à direita, com uma carga mais pejorativo; isto porque o primeiro é mais idealista, o segundo está associado à demagogia, a palavra pomposa inventada na política para a enganação. A base de todo populismo, a vala comum em que esquerda e direita caíram, no entanto, é o propósito, voluntário ou não, de iludir as massas para a preservação de um governante e, com ele, o status quo da elite dominante.
É a vontade em prol do bem do povo o que une, na essência, dois argentinos: Che Guevara, o guerrilheiro que morreu lutando na selva boliviana, e Evita Perón, com seus cabelos dourados, discursando para a massa no balcão da Casa Rosada. Personagens tão diferentes, mas amados – e finalmente destruídos – por um só motivo.
Tanto populistas quanto comunistas deixaram, na história da América Latina, a sensação orwelliana de que toda revolução acaba por gerar uma situação ainda pior. E de que o limite entre o populismo de direita e de esquerda é tênue; é por ali que trafega, por exemplo, gente como o ex-presidente Lula, que se elegeu sobre uma plataforma de esquerda e governou como um populista de direita, sem deixar de ser coerente consigo mesmo.
Os Redentores não aponta somente os casos dos utopistas fracassados. Existem alguns vencedores, embora para estes a história tenha reservado também a sua mais fina ironia. É o caso do subcomandante Marcos, líder guerrilheiro do Chiapas, no México, uma das histórias mais curtas do livro, e talvez a mais extraordinária.
Marcos era um cidadão anônimo que, aproveitando-se do trabalho de catequização revolucionária dos teólogos da libertação com os índios dessa miserável região do país, liderou uma sublevação. Com uma máscara de esqui no rosto, o sonho de virar outro Che, muita coragem e sentido para autopromoção, ele organizou seu exército e enfrentou o governo mexicano.
Num cochilo da História, Marcos venceu. O governo mexicano, espertamente, viu que sua derrota seria sua vitória. Cedeu aos apelos de Marcos, ofereceu-lhe anistia e implantou todas as reformas solicitadas, tirando de Marcos a bandeira que levava na mão. Marcos podia se tornar um líder de esquerda no parlamento mexicano, como lhe foi oferecido. Mas preferiu voltar ao meio do povo, indo morar num bairro classe média da Cidade do México, ainda incógnito, ou melhor, como um cidadão qualquer.
Ironia das ironias, Marcos – que fumava charutos, sonhava ser um novo Che e morrer como ele gloriosamente em batalha – sobreviveu. Certa vez, o identificaram, fotografaram e ofereceram as imagens de seu verdadeiro rosto aos jornais. Nenhum quis publicá-las. O Marcos que interessava era o mito de máscara, produto da mística que ele mesmo criara. E que o governo, ao ajoelhar-se, conseguira desmanchar como uma bolha de sabão no ar.
Não importa quem promova o bem comum, nem de que lado, pois o bem comum é sempre o mesmo. A natureza do comunismo e do populismo, e o que há de ruim em ambos, não invalida os ideais. Eles devem ser perseguidos porque, mesmo quando fracassam em seu projeto original, triunfam em outro lugar. O comunismo em si é um Marcos, derrotado como ideia política, mas a perseguição dos seus ideiais produziu avanços significativos para a sociedade. Assim como o populismo também já produziu grandes avanços sociais. É o caso das leis trabalhistas de Getúlio Vargas no Brasil, ainda vigentes, embora merecendo hoje em dia uma reforma.
Por sua raiz comum, muitos comunistas, ao assumirem o poder, tendem a flertar com a direita, tornando-se populistas. Os limites entre ambas as coisas não são nem nunca foram claros. O ex-presidente Lula era um homem de esquerda e, no governo, se aproximou do populismo de Getúlio Vargas. Mas não seria errado dizer que Vargas, um líder populista, teria se aproximado dos ideais da esquerda ao promover o trabalhismo no Brasil.
Os ideais serão sempre ideais, de direita ou esquerda. Promover uma melhor qualidade de vida para o conjunto da sociedade deveria ser o objetivo de todos. Mesmo os ricos perceberam que o egoísmo é contraproducente. O Brasil hoje dá um exemplo para o mundo de civilidade, ao aceitar o fato de que os ricos não podem viver mais entre muros, e que a qualidade de vida é estar em um lugar onde muros não são necessários. Sem contar que, num país mais rico para todos, haverá também menos espaço para políticos com promessas vãs ou interesses ocultos, à esquerda, à direita ou ao centro.
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