Meu mais recente romance, Campo de Estrelas, é a história de uma viagem de pai e filho a Machu Picchu, onde eles encontrarão a mais eterna das amizades e o segredo para enfrentar o medo na dificuldade extrema (Editora Globo, 190 pág., 21 reais).
Parábola, auto-ajuda? Não, romance. Mesmo tratando-se de um produto da imaginação, no romance são colocadas as grandes e mais verdadeiras emoções, além das reflexões que nos ajudam a pensar e ganhar coragem, embaladas na forma de puro entretenimento. Esse é o papel da literatura, que eu acho ainda muito válido. Aliás, mais válido que nunca.
Campo de Estrelas é resultado da minha adolescência, da minha vida adulta, do amadurecimento e das pequenas e grandes obsessões de um autor. O trabalho de escrevê-lo consumiu três anos, nos intervalos de outro livro maior, na escala de Filhos da Terra, que ainda estou concluindo.
Já não é fácil escrever um romance grande, quanto mais dois ao mesmo tempo. Porém, eu me acostumei a refrescar a cabeça de um, enquanto pulava para o outro. Talvez os dois livros sejam um só, por serem ligados a uma mesma época da minha vida. Às vezes, nem mesmo quem escreve sabe por quê o faz, nem entende bem o método. Basta compreender que aquilo foi feito dessa forma por um bom motivo, determinado pelo coração.
Um desses três anos escrevendo em tempo integral foi passado dentro de um pequeno apartamento em Nova York, onde fui morar com minha mulher, que lá trabalhava. Foi um período de muita diversão, mas ao mesmo tempo de angústia e de um esforço extenuante. Sentimentos conflituosos que, no confinamento do nosso pequeno imóvel do Battery Park City, tornaram a convivência comigo uma tortura equivalente à de Guantanamo. Por isso, devo muitos agradecimentos pela resistência de todos os que me suportaram, especialmente minha mulher, Graziela, e meu enteadinho João.
Está aí, então, Campo de Estrelas, para que leiam como quiserem. Ainda assim, eu arriscaria dizer que todos aqueles que enfrentaram ou enfrentam as grandes dificuldades da vida encontrarão nele, além de um romance com todos os ingredientes que se pode esperar de uma leitura prazerosa, uma permanente companhia de cabeceira.
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